AUTOR

Me chamo Dario Pouso e publico aqui alguns rascunhos sobre temas encontrados nas fronteiras entre as artes e a história, o que claro, inclui algo de política, educação, filosofiaS (assim, no plural) e DETALHES do cotidiano que me convidam a meditar. Professor de história desde fevereiro de 2006.

Prostituição...arte... antiga


Noivas da Babilônia


Nabucodonosor II construiu, no século VI antes de Cristo, um portal sagrado para homenagear Ishtar, a grande deusa babilônica. As mulheres locais esperavam estranhos que lhes pagassem em troca de sexo no interior do templo. Parece que isso era uma atividade que durava muitos dias, semanas ou até mesmo meses para muitas delas. Para a cultura ocidental, fundamentada na moral greco-romana-judaico-cristã, ter relações sexuais nos templos soa como uma afronta demoníaca, uma falta pecaminosa e indigna.
Nos templos romanos, por exemplo, as guardiãs eram conhecidas como as virgens vestais, e perder a virgindade era o mesmo que sair do terreno da pureza. Essa pureza, que até os dias de hoje sobrevive no imaginário coletivo da cultura ocidental, não existia lá na Mesopotâmia, na terra entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje temos o Iraque. Lá a liberdade sexual era bem diferente das expressões sexuais que nossa cultura atual julga serem liberais. Nem as festas populares do carnaval brasileiro podem alcançar a liberdade que havia na Mesopotâmia da Idade Antiga.
Na Suméria, por exemplo, as festividades de agradecimento pela colheita estavam diretamente ligadas ao sexo. Quanto mais crianças um casal tivesse, mais braços para a lavoura obtinha; e com mais força de trabalho plantavam mais, e plantando mais colhiam mais, e colhendo mais eram mais ricos, e sendo mais ricos tinham mais poder.
Portanto, a liberdade sexual nesses ritos de homenagear a deusa da fertilidade nas festas da colheita não gerava ciúmes e crimes passionais caso a esposa voltasse grávida de outro homem. Esposa grávida significava riqueza.
Heródoto, historiador grego, ficou chocado com esse costume das noivas babilônicas de ficarem esperando homens que pudessem contribuir com os seus sonhados casamentos. Segundo ele, “as que são belas e têm um belo corpo podem voltar rapidamente para casa, mas as feias são obrigadas a ficar ali por muito tempo. Algumas ficam lá por três ou quatro anos”.
A deusa abençoava o casamento e, por meio desse culto, mulheres que queriam casar juntavam o dinheiro necessário, conhecido como dote. Talvez as não tão atraentes para os padrões da época sofressem com a árdua tarefa de juntar o dinheiro do dote, e isso tenha deixado o historiador grego atônito.
Esse ritual pré-nupcial recebeu o nome de fornicatio. As futuras esposas eram então aquelas que “se prostram ou se expõem” diante do portal do templo de Ishtar. Daí o nome prostituta. Então não se podia ofender ninguém chamando a esposa do outro de prostituta.

junho/2020

Postagens mais visitadas deste blog

Bandeirantes / Monumento às Bandeiras

O Che Guevara no Uruguai, 1961, Conferência da OEA