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O Che Guevara no Uruguai, 1961, Conferência da OEA

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Entre Churrascos e Atentados: Quando Che Guevara Elogiou a Democracia e Tentou Frear a Luta Armada   Discurso do Che na Universidad de la República. Em agosto de 1961 o Che Guevara foi discursar para a militância uruguaia na universidade pública da República, Udelar. O Che teve alguns encontros com a militância, só que sua ida ao Uruguai não foi pra isso, ele estava participando das reuniões da Aliança para o Progresso patrocinada por John Keneddy, e no meio do caminho tinha esses encontros com seus apoiadores e novos amigos que incluíam Leonel Brizola, então Governador do Rio Grande do Sul, e Salvador Allende , futuro Presidente do Chile. Conheceu Brizola quando foi a um churrasco em Punta del Este na casa do Presidente Eduardo Víctor Haedo. Esteve acompanhado por Salvador Allende no discurso da universidade. O mundo estava mais ou menos dividido entre o comunismo soviético e o capitalismo americano. A América Latina era estratégica para os Estados Unidos, que não desejavam revolu...

O outro Jesus: os relatos apócrifos de Nag Hammadi

  Sabemos da narrativa da crucificação e as implicações imediatas desse evento na formação religiosa ocidental. Os eventos seguintes, que ocorreram após a crucificação, carregam uma certa carga de mistério quando entramos em contato com relatos e versões de pouco conhecimento do público em geral -relatos que não chegam a duvidar da crucificação, mas de quanto tempo Jesus permaneceu nela. Jesus teria ficado tempo suficiente na cruz para morrer nela? Existem algumas leituras tidas como evidências para responder a essa questão. Tais leituras abordam certos detalhes dando-lhes roupagem de evidências. Passemos, então, para esses detalhes interpretativos. Detalhe 1: a fé romana Os romanos eram crentes, este ponto deve ficar claro. Os romanos eram crentes porque acreditavam em deuses. Eles tinham uma larga formação religiosa que ia: do culto aos deuses privados (da família, os famosos lares, antepassados da família que protegiam a casa) aos cultos públicos (dos deuses do Estado). Então, ...

Bandeirantes / Monumento às Bandeiras

Quando comecei a dar aulas de história, há exatos 20 anos, na antiga sétima série, hoje oitavo ano, no livro didático ali no capítulo sobre os bandeirantes constava um texto reflexivo algo como “bandeirantes, mocinhos ou vilões”. Como bom quase formado (comecei a trabalhar como docente no penúltimo semestre da faculdade), eu mordi a isca e fiz uma espécie de votação. Essa ideia non-sense de julgar o passado. Tribunais sobre o passado. De um lado Stálin e sua torcida, do outro Trotsky, de um lado os alemães… blá, blá, blá. Se eu pudesse voltar no tempo, ah se eu pudesse voltar. Não para o tempo dos bandeirantes, do Fernão Dias, do Domingos Jorge Velho ou da neta do Cacique Tibiriçá, a tal Susana Dias, e sim para os tempos confusos das primeiras turmas onde fui o juiz da história e reproduzi essa técnica tão difundida. Verdade que minha mudança não alteraria nada essa estrutura, sequer arranharia o verniz. Posso (e, devo!!) nutrir centenas de juízos de valor sobre o passado, mas a aula d...

Prostituição...arte... antiga

Noivas da Babilônia Nabucodonosor II construiu, no século VI antes de Cristo, um portal sagrado para homenagear Ishtar, a grande deusa babilônica. As mulheres locais esperavam estranhos que lhes pagassem em troca de sexo no interior do templo. Parece que isso era uma atividade que durava muitos dias, semanas ou até mesmo meses para muitas delas. Para a cultura ocidental, fundamentada na moral greco-romana-judaico-cristã, ter relações sexuais nos templos soa como uma afronta demoníaca, uma falta pecaminosa e indigna. Nos templos romanos, por exemplo, as guardiãs eram conhecidas como as virgens vestais, e perder a virgindade era o mesmo que sair do terreno da pureza. Essa pureza, que até os dias de hoje sobrevive no imaginário coletivo da cultura ocidental, não existia lá na Mesopotâmia, na terra entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje temos o Iraque. Lá a liberdade sexual era bem diferente das expressões sexuais que nossa cultura atual julga serem liberais. Nem a...

Daniel Estulin, "ex" KGB

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  RECOMENDO NOVOS PARADIGMAS A LUTA SILENCIOSA DOS ATORES "INVISÍVEIS" GLOBALISTAS

RUÍDO BRANCO: FILME PARA ALÉM DO ENTRETENIMENTO

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Os materiais da Netflix conseguem me entreter, mas surpreender… raramente. O filme Ruído Branco é uma dessas raridades que fazem pessoas exigentes reagir dizendo “p%$a me$#da” As críticas que cheguei a ler não dão conta do filme. Quando as li, assim que o filme surgiu como opção na tela, fiquei sem vontade de assistir. Desconfiei do quão confusas eram, e pensei: se confundiu os críticos, deve ser pelo menos bom. Acertei. O filme fala da morte, da relação entre a morte e a multidão, entre a morte e o indivíduo. Para essa árdua missão de relacionar a morte com as massas e com a solidão individual, o filme utiliza valiosíssimas metáforas. O debate cênico entre dois professores universitários diante de jovens com certeza é um dos diálogos mais importantes do cinema na última década: Hitler e Elvis Presley arrebatando multidões, Hitler e Elvis sendo amados por suas mães e sofrendo pela morte delas. As massas nazistas "homenageando" os mortos que ainda não morreram, as massas cant...

Catalina de Erauso: primeira TRANS do Novo Mundo?

Poucas mulheres tiveram uma vida tão repleta de aventuras como Catarina de Erauso; talvez as moças da expedição Sanábria viveram tantas emoções fortes enquanto escreviam a história do Novo Mundo. Foram muitos os episódios conhecidos das aventuras de Catarina, aventuras com todas as letras maiúsculas. Aventuras sempre a um passo da morte. Aventuras de dar medo nos homens rústicos e corajosos do seu tempo, o século XVII. Em 1603 ela mal tinha completado 18 anos e já estava chegando à América. Além disso ela já havia escapado de um convento pouco antes de obter a sua ordenação como monja. Ficou vagando pelas ruas espanholas travestida de homem. Dizem que antes de ir à América trabalhou vestida como homem para uma tia, e sem ser reconhecida. No mesmo barco que a levou à Venezuela seu tio também viajava e também não a reconheceu. Antes de saltar do barco roubou o dinheiro do seu tio. Na América passou pela Venezuela, Peru, Chile, Argentina e Bolívia. Em todos esses lugares, e durante 20 ano...

AUTOR

Me chamo Dario Pouso e publico aqui alguns rascunhos sobre temas encontrados nas fronteiras entre as artes e a história, o que claro, inclui algo de política, educação, filosofiaS (assim, no plural) e DETALHES do cotidiano que me convidam a meditar. Professor de história desde fevereiro de 2006. Mestre e doutorando em Artes Visuais.