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A literatura como renovação e cura...ou... faces literárias da meditação

  Segundo Georges Simenon, lemos para espiar pelo buraco da fechadura, para vermos como o escritor resolve questões que não sabemos por onde começar (entrevista de 1955, Paris Review). Lemos para especular respostas através dos personagens “alheios”. E os personagens alheios, de um escritor que já morreu — ou que, se vivo, jamais te conhecerá —, não são tão alheios assim: são da humanidade; correspondem ao repertório das atitudes e dramas possíveis nesta terra. A literatura, penso, me liberta de mim mesmo na medida em que eu não teria como me sentir desamparado (frente a algum “precipício” do destino) ao já ter internalizado bem situação similar cantada pelos aedos e rapsodos que me gritaram em alguma biblioteca. Posso não ter estado numa guerra, disse Borges, mas vivenciei outros perigos (terrores?), (entrevista de 1976): [00:36:30] Borges: — ...porque, si no, uno se perdería en una selva de nombres propios. Además, ¿qué importancia tiene si el libro ha sido escrito por uno o por ...

HISTÓRIA DA VOZ: DA CONJURAÇÃO INVIOLÁVEL AOS ÁUDIOS NO WHATSAPP

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Meditando sobre a arte FICAR OFF LINE em alguns momentos do dia e em alguns dias da semana (como neste feriado, semana Santa / 2026), sobretudo no WhatsApp, me ocorreu compartilhar aqui uma nota publicada em 2023, no blog anterior a este. Segue o texto: Em algum momento da história, a voz deixou de ser sagrada, separada e inviolável. Foi profanada pela "conversa para boi dormir" de cada dia . Emitíamos sons que podiam alterar a realidade: amedrontando outros humanos, outros animais, invocando gente, bichos e sombras. Conjurávamos o bem, a morte, o ódio, o gozo e a dor — tudo aquilo da vida que fosse imediatamente grave, importante e urgente. Éramos assim naquela época, naquele... antigamente bem antigo mesmo. Refiro-me à reta final do Paleolítico, uns cinquenta mil anos atrás, até aquela etapa do início do Neolítico, quando os indo-europeus separaram-se para povoar o sudeste da Ásia e a Europa, onde foram erguer Civilizações Universais: por volta de 50.000 ATÉ aproximadamente...

Arqueologia da traição na América Latina: tentando escutar Malinche.

  Hoje é quinta, 2 de abril de 2026, e cá pensando em como nos relacionamos com os feitos dos "delatores" (premiados!). Impossível não pensar em Malinche e nas raízes de meio milênio de mudanças de lado. Seria possível pensar a historiografia latino-americana através das categorias em torno da traição? Devemos ouvir os traidores na história do continente? Conseguimos ouvi-los? Como construímos as narrativas dos Judas da Idade Moderna / Contemporânea na América Latina? COLABORACIONISTA                                                           TRAIDOR                    X-9      ...

AUTOR

Me chamo Dario Pouso e publico aqui notas e/ou provocações literárias sobre temas encontrados nas fronteiras entre as artes e a história, o que claro, inclui algo de política, educação, filosofiaS (assim, no plural) e DETALHES do cotidiano que me convidam a meditar. Professor de história desde fevereiro de 2006. Mestre e doutorando em Artes Visuais.