A MORTE CONTEMPLOU O MEU BAIRRO NA ÚLTIMA NOITE: 3 SE FORAM COM ELA
Ontem a morte estava com todas as vitaminas em dia e saiu disposta. Rondou o meu bairro (1) e, mesmo sem saber dos nomes que viriam a ser revelados pela minha mãe há poucos minutos (2), eu já sabia que alguma merda grande estava rolando aqui e já notei a presença da autora. A cachorra (3) estava nervosa. Tive que abrir a porta do “quarto” (4) dela às 02h da manhã — geralmente abro apenas às 06h e alguma coisa. Ela estava inquieta e parecia saber que eu estava com um baita frio na espinha tendo que levantar de madrugada, cruzar o pátio escuro e abrir a porta do quarto dela. A gata dormia tranquila, um sinal de que a morte não estava visitando ninguém da minha família. Voltemos à nota de pesar. Entendo que o costume de toda nota de pesar é expressar dor pela partida de alguém que seja, no mínimo, querido. Não tinha uma relação profunda com essas três pessoas, mas as três participaram da paisagem da minha biografia de modo ilustrativo. O Roberto morava aqui perto da minha casa; nos ...

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