A literatura como renovação e cura...ou... faces literárias da meditação
Segundo Georges Simenon, lemos para espiar pelo buraco da fechadura, para vermos como o escritor resolve questões que não sabemos por onde começar (entrevista de 1955, Paris Review). Lemos para especular respostas através dos personagens “alheios”. E os personagens alheios, de um escritor que já morreu — ou que, se vivo, jamais te conhecerá —, não são tão alheios assim: são da humanidade; correspondem ao repertório das atitudes e dramas possíveis nesta terra. A literatura, penso, me liberta de mim mesmo na medida em que eu não teria como me sentir desamparado (frente a algum “precipício” do destino) ao já ter internalizado bem situação similar cantada pelos aedos e rapsodos que me gritaram em alguma biblioteca. Posso não ter estado numa guerra, disse Borges, mas vivenciei outros perigos (terrores?), (entrevista de 1976): [00:36:30] Borges: — ...porque, si no, uno se perdería en una selva de nombres propios. Además, ¿qué importancia tiene si el libro ha sido escrito por uno o por ...