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Sobre o que significa ser latino-americano

A vida se encarregou ontem, 15/04/2026, já de noite, de fazer chegar a mim um material que contém estas certeiras linhas: "Se nos preocupamos tanto em saber se somos ou não latino-americanos, já estamos colocando mal a questão. Claro que somos latino-americanos. Que se há de fazer? Temos cara de australianos? Estamos falando em algumas das línguas orientais? Somos fatalmente latino-americanos. E uma das características do latino-americano é perguntar-se o que é um latino-americano. Por quê? Porque nos impuseram de fora essa busca de identidade." Emir Rodríguez Monegal, Austin, 1974

Arte, estética, lavar a louça e cozinhar

  Foi um cozinheiro quem iniciou Dōgen na prática budista que se tornaria a vertente Zazen, quando o jovem japonês Dōgen foi para a China em busca de um novo budismo e de um mestre. Eu não encontrei o nome do Cozinheiro Mestre / Mestre Cozinheiro, e me parece que está bem assim, imortalizado sem nome. Dōgen levou na bagagem os elementos para um budismo simples e transcendental. A sua bagagem mais valiosa viajava com ele no coração, na mudança interior. Aplicou isso no Japão. A revolução estava no ato de sentar, apenas sentar. O próprio Buda se sentava e deve ter encontrado a sua iluminação sentado; onde reside, então, o aspecto revolucionário do budismo de Eihei Dōgen? Na não intenção! Sentar e respirar, apenas isso, sem outras pretensões. Não desejar a iluminação, não querer nada além de estar presente na companhia consciente da própria respiração. Volto ao cozinheiro. O morador do mosteiro, que está cozinhando enquanto os demais monges meditam, não medita? O ato de cozinhar já é ...

A literatura como renovação e cura...ou... faces literárias da meditação

  Segundo Georges Simenon, lemos para espiar pelo buraco da fechadura, para vermos como o escritor resolve questões que não sabemos por onde começar (entrevista de 1955, Paris Review). Lemos para especular respostas através dos personagens “alheios”. E os personagens alheios, de um escritor que já morreu — ou que, se vivo, jamais te conhecerá —, não são tão alheios assim: são da humanidade; correspondem ao repertório das atitudes e dramas possíveis nesta terra. A literatura, penso, me liberta de mim mesmo na medida em que eu não teria como me sentir desamparado (frente a algum “precipício” do destino) ao já ter internalizado bem situação similar cantada pelos aedos e rapsodos que me gritaram em alguma biblioteca. Posso não ter estado numa guerra, disse Borges, mas vivenciei outros perigos (terrores?), (entrevista de 1976): [00:36:30] Borges: — ...porque, si no, uno se perdería en una selva de nombres propios. Además, ¿qué importancia tiene si el libro ha sido escrito por uno o por ...

AUTOR

Me chamo Dario Pouso e publico aqui notas e/ou provocações literárias sobre temas encontrados nas fronteiras entre as artes e a história, o que claro, inclui algo de política, educação, filosofiaS (assim, no plural) e DETALHES do cotidiano que me convidam a meditar. Professor de história desde fevereiro de 2006. Mestre e doutorando em Artes Visuais.

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