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Me chamo Dario Pouso e publico aqui alguns rascunhos sobre temas encontrados nas fronteiras entre as artes e a história, o que claro, inclui algo de política, educação, filosofiaS (assim, no plural) e DETALHES do cotidiano que me convidam a meditar. Professor de história desde fevereiro de 2006.

O Che Guevara no Uruguai, 1961, Conferência da OEA

Entre Churrascos e Atentados: Quando Che Guevara Elogiou a Democracia e Tentou Frear a Luta Armada 


Discurso do Che na Universidad de la República.

Em agosto de 1961 o Che Guevara foi discursar para a militância uruguaia na universidade pública da República, Udelar.


O Che teve alguns encontros com a militância, só que sua ida ao Uruguai não foi pra isso, ele estava participando das reuniões da Aliança para o Progresso patrocinada por John Keneddy, e no meio do caminho tinha esses encontros com seus apoiadores e novos amigos que incluíam Leonel Brizola, então Governador do Rio Grande do Sul, e Salvador Allende, futuro Presidente do Chile. Conheceu Brizola quando foi a um churrasco em Punta del Este na casa do Presidente Eduardo Víctor Haedo. Esteve acompanhado por Salvador Allende no discurso da universidade.


O mundo estava mais ou menos dividido entre o comunismo soviético e o capitalismo americano. A América Latina era estratégica para os Estados Unidos, que não desejavam revoluções socialistas no seu próprio quintal. Os americanos moviam suas peças para impedir revoluções de esquerda no continente.


O Che era um intruso naquelas reuniões de Punta del Este, representava o modelo socialista. Na noite do dia 17 de agosto, o Che protagonizou dois eventos históricos que ficaram na memória da esquerda local.


O primeiro diz respeito ao seu discurso para a esquerda uruguaia. O Che elogiou a democracia do Uruguai, então conhecido como a Suíça da América do Sul, conclamou os militantes a valorizarem e 150 cuidarem da democracia do seu país e a utilizarem como ferramenta para conscientizar o povo. Também disse que a democracia uruguaia era rara e plena no continente, e que não conhecia outro lugar no continente onde pudesse andar livremente sem problema nenhum. O Che advertiu que a luta armada proporciona muito derramamento de sangue e esse tipo de ação política não se aplicaria ao Uruguai naquele momento. A militância não levou a sério o conselho do Che. Poucos anos depois daquele discurso, apresentaram ao mundo uma guerrilha bem diferente da guerrilha cubana, apresentaram a guerrilha urbana protagonizada pelos tupamaros.


Após colocar uma enorme pulga atrás da orelha dos militantes uruguaios no discurso da universidade, o Che foi alvo de um disparo. Para a sorte do Che o disparou não o acertou, mas acertou um professor de história da universidade, o senhor Arbelío Ramírez. Contam que o Che ficou tão impressionado e assustado com o disparo que resolveu levar o filho de Arbelío para Cuba. Querendo ou não a bala não era para Arbelío, a ideia não era mandar Arbelío pro cemitério, a bala era para o Che. 


Na foto, Che Guevara e Eduardo Víctor Haedo, presidente do Conselho Nacional de Governo — instituição que substituiu a presidência do país na época. O churrasco de recepção ao Che, na casa de Haedo, gerou fortes críticas por parte dos correligionários do presidente.


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