Arte, estética, lavar a louça e cozinhar
Na não intenção!
Sentar e respirar, apenas isso, sem outras pretensões. Não desejar a iluminação, não querer nada além de estar presente na companhia consciente da própria respiração.
Volto ao cozinheiro. O morador do mosteiro, que está cozinhando enquanto os demais monges meditam, não medita? O ato de cozinhar já é uma forma de meditar, segundo o mestre Dōgen. Imagino que lavar a louça, ir ao supermercado, voltar do supermercado e tantas outras atividades em torno da comida integram essa prática da presença plena no aqui e no agora.
As Instruções para o Tenzo (cozinheiro) — Tenzo Kyōkun, escritas por volta do ano 1237 — além de abrirem um portal para a compreensão sobre a simplicidade da prática espiritual do Zazen ( sentar e meditar -o budismo mais simples que tantos adeptos no Ocidente têm tentado praticar no último século), encontram consequências éticas, estéticas e filosóficas que vão do minimalismo no ritual do chá às decorações nos lares mais recônditos do planeta que se permitem querer ser algo... "zen".