Catalina de Erauso: primeira TRANS do Novo Mundo?


Poucas mulheres tiveram uma vida tão repleta de aventuras como Catarina de Erauso; talvez as moças da expedição Sanábria viveram tantas emoções fortes enquanto escreviam a história do Novo Mundo.

Foram muitos os episódios conhecidos das aventuras de Catarina, aventuras com todas as letras maiúsculas. Aventuras sempre a um passo da morte. Aventuras de dar medo nos homens rústicos e corajosos do seu tempo, o século XVII.

Em 1603 ela mal tinha completado 18 anos e já estava chegando à América. Além disso ela já havia escapado de um convento pouco antes de obter a sua ordenação como monja. Ficou vagando pelas ruas espanholas travestida de homem.

Dizem que antes de ir à América trabalhou vestida como homem para uma tia, e sem ser reconhecida. No mesmo barco que a levou à Venezuela seu tio também viajava e também não a reconheceu. Antes de saltar do barco roubou o dinheiro do seu tio.

Na América passou pela Venezuela, Peru, Chile, Argentina e Bolívia. Em todos esses lugares, e durante 20 anos, lutou como soldado espanhol, brigou em tabernas por motivos de jogo de cartas ou prostitutas, matou, tentaram matá-la, matou o seu irmão, levou flechada dos índios chilenos nas guerras araucanas, foi demitida por ter sido flagrada com as mãos entre as pernas da cunhada do cônsul de Lima, assediou a namorada do seu irmão, foi ferida gravemente ao ponto de quase ter morrido.

Pensando que ia morrer, confessou sua verdadeira identidade. Mas sobreviveu. Foi perdoada porque apesar de tudo permanecia virgem. E daí em diante idolatrada pelos padres e bispos e por todos os que souberam da sua história cabeluda.

Em 1624 voltou à Espanha, e lá foi recebida pelo Rei Felipe IV, obtendo dele uma pensão pelos serviços prestados à coroa espanhola no Novo Mundo. Lope de Vega, o “Shakespeare espanhol”, escreveu uma peça sobre ela naqueles dias em que soube das façanhas de Catarina. A peça “La Monja Alférez”.

Também foi recebida pelo Papa Urbano VIII, aquele amigo de Galileu que o “condenou” por heresia. Nesse encontro o Papa permitiu que Catarina se apresentasse vestida de homem. Catarina voltou para a América e montou um empreendimento de mulas no México.

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