RUÍDO BRANCO: FILME PRA ALÉM DO ENTRETENIMENTO
Os materiais da Netflix conseguem me entreter, mas surpreender… raramente. O filme Ruído Branco é uma dessas raridades que fazem pessoas exigentes reagir dizendo “p%$a me$#da”
As críticas que cheguei a ler não dão conta do filme. Quando as li, assim que o filme surgiu como opção na tela, fiquei sem vontade de assistir.
Desconfiei do quão confusas eram, e pensei: se confundiu os críticos, deve ser pelo menos bom. Acertei.
O filme fala da morte, da relação entre a morte e a multidão, entre a morte e o indivíduo.
Para essa árdua missão de relacionar a morte com as massas e com a solidão individual, o filme utiliza valiosíssimas metáforas.
O debate cênico entre dois professores universitários diante de jovens com certeza é um dos diálogos mais importantes do cinema na última década: Hitler e Elvis Presley arrebatando multidões, Hitler e Elvis sendo amados por suas mães e sofrendo pela morte delas.
As massas nazistas "homenageando" os mortos que ainda não morreram, as massas cantando Elvis e reunindo-se para serem... massas. O potencial das massas ARREBATADAS. Um caminhão conduzido por um motorista bêbado. O choque do caminhão com um trem, ambos com gargas explosivas. Uma esposa em depressão e um médico oportunista. Quarto sujo de motel. Complexo!
Depressão contemporânea e consumismo. Um professor argumentando que o supermercado é similar ao local da espera da morte narrada pelos hindus e que a violência é uma forma de renascimento.
Argumentos e cenas bem amarradinhas. Não é só pra entreter, é uma obra-maestra destes dias que se fará presente nas melhores salas de aula do planeta, disso não duvido.
Tem traição, amor e cotidiano, mas com um tempero surrealista na medida certa, sem exageros.
O que é a vida? O que pensamos da vida sozinhos? E quando estamos no meio da massa? Como reagir? Perguntas inteligentes que o filme tenta sugerir pistas. Assista, e não acredite nos críticos, nem nestas linhas.
escrito em janeiro de 2023