JAMES DEAN TODAY
Caiu-me nas mãos a biografia de James Dean, publicada em 1956 por Yves Salgues, um ano e pouco após a morte de Dean. Compartilho com vocês algumas provocações acerca de Dean e as juventudeS, assim no plural, com S enorme.
Viver mil anos a dez ou viver dez anos a mil? Típico dilema de uma juventude que queria ter o mundo aos seus pés, e tentava isso, por vezes acabava conseguindo, mas não sem antes desafiar a morte.
A música dezesseis, da Legião Urbana, é uma manifestação clara desse arquétipo construído a partir da performance da morte de James Dean, o ator piloto ou piloto ator.
Desconfio que esse arquétipo tenha sobrevivido e chegue aos nossos dias através de costumes (viciosos?) da juventude atual.
O arquétipo do James Dean sobreviveu, alegra-te jovem!
Sobreviveu, mas no meio do caminho perdeu uma perna, um braço, cabeça...e o coração. O arquétipo de James Dean nos chega desfigurado, e me parece que isso não foi culpa da batida do carro que lhe tirou a vida, as causas podem ser bem mais profundas.
A coragem era um elemento importantíssimo do arquétipo de James Dean. Restou do arquétipo apenas a parte dos jovens problemáticos que querem conquistar o mundo.
A coragem brilha por sua ausência.
É cada vez mais normal que jovens de 30 a 40 anos continuem a desbravar o mundo confortavelmente sentadinhos numa cadeira gamer lá no quarto da casa do papai e da mamãe, com a internet, a maconha, a gasolina (porque muitos temem os perigos de pegar um ônibus!), e tudo o que eles precisarem para … navegar sentindo-se James Dean.
