garimpando no instagram
Algumas notícias que merecem atenção de quem já não quer dar atenção ao espetáculo da estética do fim do mundo. De vez em quando entro no Instagram, posto um par de coisas e desinstalo o app. Ontem fui fisgado por preciosidades pouco comentadas nas redes (1).
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Em Porto Alegre (2), um senhor placidamente sentado com uma galinha no colo… costurando algum tecido. Lindo! Genial!
Talvez o algoritmo também olhe para usuários como eu. Antes de desinstalar o app (3), outro colírio para os sedentos de notícias genuínas: um cara se passou por guia de museu em Boston. Parece que durante três finais de semana. Ele teria mentido sobre todas as obras. Quem desconfiou?
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Quase ninguém viu. Que bom...um sinal e tanto de que continuo um garimpeiro razoável.
Justamente ontem quando adormeci com estas imagens de Fernando Pessoa (4)
Hoje, como me oprimisse a sensação do corpo aquela angústia antiga que por vezes extravasa, não comi bem, nem bebi o costume, no restaurante, ou casa de pasto, em cuja sobreloja baseio a continuação da minha existência. E, como, ao sair eu, o criado verificasse que a garrafa de vinho ficara em meio, voltou-se para mim e disse: «Até logo, sr. Soares, e desejo as melhoras.»
Ao toque de clarim desta frase simples a minha alma aliviou-se como se num céu de nuvens o vento de repente as afastasse. E então reconheci o que nunca claramente reconhecera, que nestes criados de café e de restaurante, nos barbeiros, nos moços de frete das esquinas, eu tenho uma simpatia espontânea, natural, que não posso orgulhar-me de receber dos que privam comigo em maior intimidade, impropriamente dita...
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(1) Busquei no Google e quase ninguém repercutiu, ou entendeu, ou ambos.
(2) Centro de POA.
(3) Entro no Insta umas três vezes por mês, isso já basta.
(4) Livro do Desassossego, cap. 24.
(4) Livro do Desassossego, cap. 24.

